quinta-feira, 17 de maio de 2012
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Se eu pudesse me resumir
Sou composta por urgências, minhas alegrias são intensas, minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos. Eu caminho, desequilibrada, em cima de uma linha tênue entre a lucidez e a loucura. Eu gosto de ter amigos, porque preciso de ajuda pra sentir, embora quem se relacione comigo saiba que é por conta-própria e auto-risco. O que tenho de mais obscuro, é o que me ilumina. E a minha lucidez é que é perigosa … Se eu pudesse me resumir, diria que sou irremediável!
domingo, 13 de maio de 2012
Eu sei que não o amo.
Eu sei que não o amo, mas a vida age como se eu o amasse realmente. Como fazer, então? Eu quero dizer tchau-vai-com-Deus-e-não-voltes-mais, mas acabo por dizer fica-que-Deus-cuidará-de-nós-dois. Complicada essa vida! Eu sei que não o amo. Não, mesmo. Ele é mais ou menos. Nem sim, nem não. Para mim ele diz que sim, mas para ele eu digo que não. Num dia, eu quero com todas as minhas forças, viver ao lado dele até morrer. Noutro dia, eu quero com toda a minha arrogância, que ele vá para bem longe. Isso não é amor. Eu li que amor é querer ficar sempre. E eu quero ir embora mais vezes, do que as que quero ficar. Só que eu não sei ir embora, sem que a saudade vá atrás. Eu posso até não chorar com vontade – chorar mesmo. Mas eu acabo por sentir vontade que uma lagrimazinha caia. Só que eu não amo. Talvez não saiba amar, assim, de verdade. Ou talvez tenha esquecido, depois de tantas dores.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Um rascunho
Sou um rascunho mal escrito, mal terminado e, também, mal começado. Um daqueles rascunhos que ficam nas últimas folhas esquecidas, na verdade, posso ser o rascunho do rascunho. Escrito as pressas, ou por má vontade. Saindo das linhas e errando a pontuação. Um rascunho que ninguém tem vontade de ler ou de terminar pra realmente ser uma coisa boa. Um rascunho que não tem nexo, não tem meio nem fim. Um rascunho mal escrito, mal acabado, mal começado, mal usado."
quarta-feira, 9 de maio de 2012
Mas e eu?
"Minha lâmpada de cabeceira está estragada. Não sei o que é, não entendo dessas coisas. Ela acende e, sem a gente esperar, apaga. Depois acende de novo, para em seguida tornar a apagar. Me sinto igual a ela: também só acendo de vez em quando, sem ninguém esperar, sem motivo aparente. Para a lâmpada pode-se chamar um eletricista. Ele dará um jeito, mexerá nos fios e em breve ela voltará a ser normal, previsível. Mas e eu? Quem desvendará meu interior para consertar meus defeitos?"
sexta-feira, 4 de maio de 2012
Inconstante..
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Tudo errado.
Porque eu tô ainda muito inseguro de mim mesmo, e não acreditando absolutamente que alguém possa me curtir bem assim como eu sou. Eu não tenho quase experiência dessas transações, me enrolo todo, faço tudo errado — acabo me sentindo confuso. Tudo isso é tão íntimo, e eu já estou tão desacostumado de me contar inteiramente a alguém, tão desacreditando na capacidade de compreensão do outro, sei lá, não é nada disso, sabe? Conviver é difícil — as pessoas são dificeis — viver é dificil.
― Caio Fernando Abreu.
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